Querida comunidade acadêmica da Escola de Serviço Social,

 

Aqui estamos às vésperas de um novo período letivo (2023-1) prenhe de possibilidades e de novas questões.


O ano de 2023 chegou e, com ele, a perspectiva de um semestre mais próximo do que tínhamos costume. O ano nos trouxe a perspectiva de tempos menos sombrios do que os que tivemos nos últimos anos, embora a face do conservadorismo permaneça tentando nos roubar a perspectiva de políticas sociais mais eficientes e financiadas pelo Estado, a possibilidade de construção de uma esfera pública realmente democrática, a aposta numa produção científica orientada para a produção de melhores condições de vida, além de muitos outros direitos conquistados a sangue, pelas pessoas pobres, trabalhadoras e, muitas vezes, discriminadas em nosso país.


Sofremos ainda hoje, os efeitos de termos sido todas e todos, de alguma forma, vítimas de uma pandemia brutal e, também, das respostas a ela, muitas vezes pífias, equivocadas e contraditórias, promovidas pelo então governo federal. Tudo isso, também nos afetou como trabalhadoras/es e estudantes. Sob sofrimento, fomos tangidas/os à necessidade de adaptação a novas formas de concepção e execução de todas as atividades acadêmicas com novas rotinas, incluindo eventos técnico-científicos e atividades de estágio supervisionado. Isso teve um preço em termos de sofrimento, inclusive mental, coletivamente. Tudo isso tem nos exigido muito trabalho para manter nossa Universidade - senão plena - ao menos capaz, de manter suas atividades de excelência no campo do ensino, da pesquisa, da extensão e da prestação de inúmeros outros serv iços.


Nossa Escola, também sofreu esses efeitos, vivemos um período de muita escassez de recursos elementares para reformas e aquisição de equipamentos fundamentais para o bem-estar de nossa comunidade e para a execução de nossas atividades, de tensões internas, de atrasos salariais das/os trabalhadoras/es terceirizadas/os e de muitos adoecimentos. Apesar disso, tivemos a alegria de formar novas turmas que a despeito de tudo isso, tem experimentado, a força que tem uma formação profissional adquirida numa universidade pública e socialmente referenciada, realizamos adaptações curriculares importantes visando a acreditação das atividades de extensão, temos cada vez mais alunas/os com deficiência, além de vermos nossa ESS cada vez mais democratizada pela presença de uma diversidade de pessoas: diversidade étnico-racial, de gênero, de fraç&otil de;es de classe, de orientação sexual. Sem ilusões, temos diante de nós no país, a possibilidade de reconstrução de alguns dos direitos que foram suprimidos e, internamente, a perspectiva de eleições para a Reitoria e de outras transformações da Universidade, que embora não aconteçam em todas as universidades federais em moldes totalmente democráticos, trazem consigo novas possibilidades. Saudamos alegremente na ESS a posse recente de uma nova gestão do Centro Acadêmico José Paulo Netto.


Contudo, ainda que insuficientes, tivemos algumas boas notícias neste novo ano, como por exemplo, a atualização das bolsas de nossos/as estudantes e de recomposição parcial das perdas salariais que tivemos como servidores/as públicos/as nos últimos sete anos sem recomposição e com inflação.


Como gestoras/es desta IFES, todavia, estamos cientes de que não trafegamos em águas tranquilas. Muito continuará a ser exigido de nós, sejamos alunas/os, técnicas/os-administrativas/os, supervisoras/es de estágio, professoras/es. Temos muitos desafios complexos para cumprir nossos objetivos. Para isso, reiteramos a importância do empenho de toda esta comunidade no fortalecimento de um projeto coletivo para a Escola de Serviço Social, contra toda força que impele a universidade para os caminhos exclusivos da tecnociência e das carreiras pensadas apenas individualmente. Que continuemos ocupando nosso espaço físico com vitalidade, aceitando os desafios de assumir as incumbências que permitem a nossa escola continuar existindo com essas características e buscando construir nesse microcosmo e, para além dele, um ambiente de trabalho, estudo e prestação de serviços qu e seja confortável e marcado por relações solidárias. Que a nossa alegria de estar aqui, cumprindo nosso papel histórico seja renovada, apesar das tristezas que ainda nos atordoam e, lembremo-nos das palavras da poeta Adélia Prado no poema "Toada":

"Cantiga triste, pode com ela é quem não perdeu a alegria."


Um excelente 2023!
Conselho Diretor da ESS

 

Av. Pasteur, 250 - Urca, Rio de Janeiro - RJ, 22290-240.

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